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INTRODUÇÃO

Os ovos dos mamíferos do tipo oligolécito – isto é, com pouca quantidade de vitelo – têm sua nutrição garantida nos primeiros dias de desenvolvimento pelas secreções da tuba e do útero. Como o desenvolvimento prossegue muito rapidamente, essas secreções não serão suficientes para nutrir o embrião. É preciso que se estabeleça de imediato um sistema que venha a suprir as necessidades nutritivas e também que elimine os resíduos do metabolismo embrionário. Por essa razão, o sistema cardiovascular é o primeiro sistema a funcionar no embrião.

Na implantação, quando o endométrio uterino está muito edemaciado, desenvolvem-se as vilosidades trofoblásticas, estabelecendo-se as primeiras relações placentárias, com a distribuição de nutrientes e oxigênio para o embrião e, em sentido contrário, a eliminação de seus resíduos.

É necessário o estabelecimento, inicialmente, da circulação embrionária mesmo antes que se tenha atingido a morfogênese definitiva do sistema circulatório. Por esse motivo, já se observam movimentos cardíacos muito precocemente, por volta do 22o ao 24o dia (quarta semana) de desenvolvimento, ocorrendo, assim, o início da circulação sanguínea entre o embrião e seus anexos. No decorrer das profundas modificações que ocorrem durante a organogênese, o sistema circulatório é gradativamente preparado para as necessidades fetais sem haver nenhuma interrupção no seu trabalho útil. No parto, a circulação fetal finalmente estará preparada para as importantes modificações que ocorrerão quando o recém-nascido passar a utilizar o seu sistema respiratório para as trocas gasosas.

Os primeiros vasos sanguíneos derivam-se do tecido angiogênico, isto é, do mesoderma extraembrionário que reveste o saco vitelino e seu pedículo, bem como a parede do córion (Figura 35.1). Nesses locais, durante a terceira semana, surgem as ilhotas de Wolff, que são pequenos acúmulos dessas células mesenquimais.

Figura 35.1

Esquema demonstrando os locais onde se iniciam as formações angiogênicas extraembrionárias, no mesoderma da parede do saco vitelino, do córion e do pedúnculo embrionário.

Essas células mesenquimais sofrem duas linhas de diferenciação. As mais externas da ilhota, com capacidade angiogênica, achatam-se e diferenciam-se em células endoteliais, ao passo que as situadas no interior da ilhota, apresentando capacidade hemopoética, tornam-se livres e diferenciam-se em células sanguíneas primitivas (Figura 35.2). Graças à intensa proliferação, esses vasos sanguíneos estabelecem comunicações entre si, desenvolvendo um intenso plexo vascular. Os vasos do pedículo embrionário serão os futuros vasos umbilicais, e os das vilosidades coriônicas serão os vasos placentários.

Figura 35.2

Formação de vasos e células sanguíneas na parede do saco vitelino. A – Mesênquima indiferenciado. B – Formação de uma ilhota sanguínea, de Wolff. C – Formação de um capilar. As células periféricas da ilhota sanguínea têm potencialidade angiogênica e formam células endoteliais; as células que ficam aprisionadas resultam em células sanguíneas.

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