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1. DESENVOLVIMENTO DOS PEIXES

Entre os peixes, Danio rerio, conhecido como paulistinha, tornou-se nos últimos anos um material excelente de laboratório para o estudo do desenvolvimento dos vertebrados. Isso ocorre porque ele produz uma grande prole, reproduz-se durante todo o ano, é fácil de ser mantido e reproduzir em laboratório, seus embriões são transparentes e desenvolvem-se independentemente da mãe. Após 24 horas da fecundação, o embrião já formou a maior parte dos primórdios dos órgãos e apresenta a forma característica semelhante à do girino (Figura 24.1).1

Figura 24.1

Esquema do desenvolvimento do peixe Danio rerio, paulistinha, até o de um embrião na forma de um girino.

Fonte: Langeland e Kimmel.1

Os genes do paulistinha são muito apropriados para serem estudados por serem geneticamente manipuláveis. Seus embriões são suscetíveis às moléculas antissenso morpholin, e os pesquisadores podem usar esse método para testar se um determinado gene é necessário para uma determinada função. Com o paulistinha, também é fácil testar o efeito de certas drogas deletérias do desenvolvimento, uma vez que seus embriões são permeáveis a pequenas moléculas localizadas na água.2 Assim, seu desenvolvimento pode ser alterado pela adição à água de etanol ou ácido retinoico que produzem malformações nos peixes que lembram síndromes do desenvolvimento humano causadas por essas substâncias.2

1.1 Clivagem

Nos peixes ósseos, a clivagem só ocorre no polo animal, sendo assim meroblástica discoidal. Nos elasmobrânquios, a clivagem é holoblástica como nos anfíbios.

O desenvolvimento dos peixes tem características comuns com o dos anfíbios e o das aves.

O ovo dos peixes elasmobrânquios é heterolécito como o dos anfíbios, ao passo que o dos peixes ósseos é telolécito como o das aves. Nos peixes ósseos, como o paulistinha, a maior parte do ovo é ocupada por vitelo.

Em peixes que apresentam ovos heterolécitos, como no caso do Acipense e em Amia, peixe gnoide, o vitelo atrasa o sulco de clivagem. Nesses representantes, as clivagens são totais, como nos anfíbios. A clivagem começa no polo animal, e o sulco de clivagem atinge o polo vegetal, mas, pelo fato de nesse polo ter muito vitelo, as clivagens no polo animal ocorrem antes do que no polo vegetal, formando-se blastômeros menores e em maior número, os micrômeros, na região animal, e maiores e em menor número, os macrômeros, na região vegetal (Ver Figura 7.3). No caso dos peixes, a diferença entre micrômeros e macrômeros é mais acentuada do que nos anfíbios. Em algumas espécies, como no Lepidosteus, o sulco de clivagem não atinge nunca o polo vegetal, de modo que o hemisfério vegetal do ovo não é clivado.

Nos peixes ósseos, as clivagens somente ocorrem no blastodisco. Nesse caso, as divisões celulares não dividem o ...

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