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1. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE A REGENERAÇÃO

O fenômeno da regeneração consiste no processo de reativação do desenvolvimento na vida adulta para recuperar a perda de tecidos. É um processo que ocorre naturalmente em quase todos os seres vivos, mas de forma limitada. Essencialmente, estão envolvidos na regeneração fatores parácrinos, ou seja, os fatores (proteínas e peptídeos) que se expressam em determinadas células que têm seus receptores-alvo em células vizinhas, diferentemente dos hormônios, que atuam à distância.

Os primeiros estudos experimentais de regeneração ocorreram durante os anos de 1700. Um exemplo desses estudos são os trabalhos de Abraão Trembley, nos quais ele documentou a extensa propriedade de regeneração da Hydra. Hoje se sabe que os animais variam substancialmente na sua capacidade de regenerar partes do corpo perdidas. Considerando que alguns animais, como muitos cnidários e platelmintos, podem regenerar um indivíduo completo a partir de um fragmento pequeno do corpo, outros, como pássaros, nematódeos e sanguessugas, são, em grande parte, totalmente incapazes de regenerar qualquer estrutura. A regeneração pode variar até entre as partes do mesmo organismo. Muitos lagartos, por exemplo, podem facilmente substituir uma parte da cauda, mas não um membro; muitos vermes anelídeos podem regenerar a cauda, mas não uma cabeça.1 Grandes questões sobre a evolução da regeneração têm sido debatidas por mais de um século, mas é cada vez mais evidente que a regeneração é formada por uma multiplicidade de fatores ecológicos e evolutivos.2

É possível considerar que a regeneração pode ocorrer em vários níveis de organização biológica, ser desencadeada por uma variedade de lesões, ocorrer em diferentes partes do ciclo de vida pós-embrionário, continuar por meio de uma diversidade de processos de desenvolvimento e produzir estruturas de fidelidade variável em relação às originais (Figura 15.1).2 De uma forma geral, existem quatro maneiras principais pelas quais a regeneração pode ocorrer:

  1. Uso de células-tronco para recuperar órgãos ou tecidos que tenham sido perdidos. Um exemplo é a contínua reposição das células sanguíneas a partir das células-tronco hematopoiéticas da medula óssea.

  2. Epimorfose – onde ocorre a reconstituição das partes perdidas a partir de células presentes em tecidos preexistentes. Esse processo envolve a proliferação celular e a formação de um blastema, a partir do qual se originam as estruturas a serem substituídas. O blastema é uma massa de células indiferenciadas (originado de células-tronco ou de células que sofreram desdiferenciação) que se forma no local da ferida e finalmente dá lugar à parte do corpo regenerada. Exemplos desse tipo de fenômeno são os que ocorrem no processo de regeneração das planárias e nos membros de anfíbios.

  3. Morfalaxia, que é um mecanismo que envolve nenhuma (ou limitada) proliferação celular. Novas estruturas são formadas a partir da remodelação de tecidos já existentes, ao invés de novas células. Essa regeneração, por exemplo, ocorre na Hydra (um cnidário) e em estrelas-do-mar.

  4. Regeneração compensatória, onde as células se dividem, mas mantêm as ...

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