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1. ORGANIZADOR PRIMÁRIO DE SPEMANN

Vimos, no Capítulo 8, que os transplantes realizados por Spemann,1 de uma gástrula jovem de anfíbio para outra gástrula jovem, se adaptavam ao novo meio. Porém, se o transplante provinha de uma gástrula tardia, seu destino já estava determinado, e o transplante desenvolvia-se autonomamente. Spemann e Mangold2 tiveram a grande intuição de transplantar o lábio dorsal de uma gástrula jovem. O lábio dorsal é o marcador do início da gastrulação, derivado do crescente cinzento. Esses autores pensavam que poderia ocorrer um destes dois fatos: que o lábio dorsal se adaptasse ao meio, como tinha ocorrido com outras partes da gástrula jovem, ou que o lábio dorsal já fosse determinado e sofresse uma autodiferenciação. Quando esse lábio dorsal da gástrula jovem foi transplantado para a região ventral de outra gástrula jovem, surgiu algo inesperado: o transplante afundou-se na região ventral, continuou sendo lábio dorsal do blastóporo e iniciou, nessa nova região, a gastrulação, continuando o desenvolvimento e produzindo, como resultado final, dois girinos unidos. O lábio dorsal organizou um segundo embrião (Figura 13.1). Spemann chamou o lábio dorsal de organizador primário.

Figura 13.1

Resultados do experimento original de Spemann-Mangold mostrando a capacidade do lábio dorsal para induzir o tubo neural no ectoderma ventrolateral do hospedeiro. A – Vista em corte. B – Vista in toto.

O lábio dorsal é a primeira estrutura a aparecer no processo da gastrulação e, no ovo de anfíbio, relembra a marca deixada por uma unha enterrada.

A questão é saber de onde provém o embrião secundário. Ele provém apenas do tecido transplantado, ou os tecidos do hospedeiro contribuem para a sua formação? Com a finalidade de responder a essa questão, Spemann e Mangold usaram duas espécies de Triturus, uma não pigmentada (T. cristatus) e outra pigmentada (T. taeniatus). Isso lhes permitiria saber se o novo embrião se originava do doador ou do hospedeiro, ou dos dois, uma vez que a presença ou ausência do pigmento no girino seria um marcador inequívoco da sua origem. O lábio dorsal do blastóporo transplantado era proveniente de T. taeniatus. Este, transplantado na parte ventral de uma gástrula jovem de T. cristatus, continuou diferenciando-se em notocorda (cordomesoderma), assim como em outras estruturas mesodérmicas que normalmente se formam do lábio dorsal. Quando as células mesodérmicas derivadas do doador começaram a invaginar-se, as células do hospedeiro começaram a fazer parte na formação do novo embrião, tornando-se órgãos que nunca deveriam ter-se formado ali. No embrião secundário, observava-se que o somito tinha procedência tanto do doador como do hospedeiro. As células do lábio dorsal eram capazes de interagir com os tecidos do hospedeiro para formar uma placa neural completa a partir do ectoderma do hospedeiro; finalmente, um segundo embrião se formou.

Vê-se que o lábio ...

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