Skip to Main Content

1. PERÍODO EMBRIONÁRIO UTILIZADO NOS ESTUDOS IN VITRO

A origem e o desenvolvimento dos indivíduos das espécies animais e, particularmente, da humana sempre instigaram a curiosidade de cientistas e pesquisadores. Desde os tempos remotos de Aristóteles (384–322 a.C.), na Grécia, a observação dos fenômenos envolvidos na perpetuação das espécies vem sendo realizada de forma documentada. Durante muito tempo, as ideias aristotélicas sobre o desenvolvimento embrionário influenciaram o pensamento europeu. Entretanto, durante os séculos XVII e XVIII, a visão pré-formacionista, segundo a qual o embrião estaria pré-formado desde o início, ganhou força, e as discussões científicas foram centralizadas na origem dos seres vivos (epigênese versus pré-formação).

A partir da invenção do microscópio, que permitiu observar os seres vivos em detalhe nas suas unidades estruturais menores, surgiu a solução desse impasse pelo estabelecimento da teoria celular por Matthias Schleiden e Theodor Schwann na primeira metade do século XIX. No final desse mesmo século, o conhecimento científico já contava com uma descrição dos gametas masculino e feminino e dos estágios de desenvolvimento embrionário inicial. Entretanto, todos os estudos eram observacionais e descritivos.

O primeiro relato onde foi possível manipular uma fase do desenvolvimento embrionário mamífero fora do ambiente uterino foi feito em 1891, por Walter Heape.1 Nesse experimento, realizado em coelhos, a transferência de embriões no estádio de 4 células gerados no sistema reprodutor de uma doadora para o oviduto de uma outra fêmea (receptora) foi bem-sucedida, permitindo o desenvolvimento embrionário subsequente e o nascimento de animais saudáveis. Esses resultados foram o marco inicial de uma nova vertente dentro da embriologia que buscava, além do conhecimento dos mecanismos que regulavam essa fase da vida, também controlar as suas etapas nos mamíferos domésticos.

A escolha do período pré-implantação para realizar a manipulação do embrião não foi casual. Esse período inicia na fecundação, com a formação do zigoto a partir da justaposição dos pró-núcleos masculino e feminino, e termina no estágio de blastocisto. Durante essa fase do desenvolvimento, os estádios embrionários são envoltos pela zona pelúcida (ZP), composta por glicoproteínas, que mantém uma separação física entre o embrião e o sistema reprodutor feminino e facilita a identificação e a manipulação dessas estruturas. Após a eclosão do blastocisto, que vai ocorrer em momentos variados dependendo da espécie mamífera, ocorrerá a implantação do embrião ao endométrio. Esse processo é gradual e ocorre em três estágios nos mamíferos domésticos, iniciando com a aposição do blastocisto ou das membranas fetais ao epitélio uterino, seguida pela adesão. Dependendo da espécie, o estágio final de contato materno-fetal é a adesão firme ao epitélio uterino, nas espécies cujo tipo de placenta é epiteliocorial ou endoteliocorial (p. ex., ruminantes, equinos, suínos e carnívoros), ou a invasão do endométrio (implantação profunda) naquelas espécies cuja placenta é do tipo hemocorial (p. ex., primatas e roedores).

2. DIFERENTES ETAPAS ABORDADAS NOS ESTUDOS DE DESENVOLVIMENTO IN VITRO

No início ...

Pop-up div Successfully Displayed

This div only appears when the trigger link is hovered over. Otherwise it is hidden from view.