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1. CÉLULAS-TRONCO

O conceito de células-tronco (CT) em si tem mais de 100 anos, e muito da biologia e do potencial terapêutico dessas células tem sido explorado nas últimas três décadas. Entretanto, sua verdadeira natureza ainda não é completamente compreendida. Operacionalmente, as CT são definidas como células com potencial prolongado ou ilimitado de autorrenovação, bem como com capacidade de originar pelo menos um tipo de célula diferenciada.

As CT estão presentes em todas as fases do desenvolvimento, desde o zigoto, na massa interna no embrião, passando pelo estágio fetal e permanecendo nos tecidos adultos. A potencialidade dessas células é maior na fase embrionária, diminuindo até a fase adulta. São classificadas em relação à sua plasticidade como CT totipotentes, pluripotentes e multipotentes e também, conforme sua origem, em CT embrionárias ou adultas.

O conceito de totipotência pode ser aplicado à capacidade de uma única célula de se dividir e originar todas as células especializadas de um organismo. O zigoto é totipotente, porque nele todas as células possuem essa característica, formando todos os tecidos necessários para o desenvolvimento fetal. A pluripotência é o termo usado para descrever as células que conseguem diferenciar-se em tecidos de qualquer um dos três folhetos embrionários: endoderma, mesoderma ou ectoderma. As células-tronco embrionárias são ditas pluripotentes; elas são obtidas a partir dos blastômeros já no embrião, originadas a partir das células totipotentes que, após modificações genéticas e epigenéticas, avançaram no seu desenvolvimento.

No entanto, as CT pluripotentes apresentam potencialidade diminuída quando comparadas às células do zigoto; elas começam a responder a sinais vindos de tecidos extraembrionários e iniciam a sua diferenciação no começo da gastrulação. As células multipotentes são encontradas em todos os tecidos adultos e possuem como característica uma plasticidade menor, diferenciando-se em células oriundas do seu próprio folheto embrionário de origem.

Após esses primeiros conceitos, discussões adicionais requerem considerações independentes sobre células-tronco embrionárias e adultas, as quais compartilham pouco mais do que o nome, a definição e as funções básicas apresentadas.

2. CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS

Nesse contexto, podemos definir células-tronco embrionárias (CTE) como culturas de células coletadas da camada interna do blastocisto, que se forma em torno de cinco dias após a fertilização (Figura 9.1). Em 1981, dois grupos estabeleceram as primeiras linhagens de CTE de blastocistos de camundongo, e em 1998, a primeira linhagem humana foi gerada.1 Apesar de aparentemente simples, o procedimento é bastante complexo do ponto de vista técnico, pois requer condições estritas para a manutenção das células em um estado indiferenciado. Isso é importante principalmente quando se trata de CTE humanas.2

Figura 9.1

Cultivo de CTE. O zigoto sofre sucessivas divisões mitóticas até formar o blastocisto. Neste, o trofoblasto, na periferia, origina as membranas embrionárias e a placenta, e a massa celular interna se desenvolve no feto propriamente dito. As linhagens de CTE, imortais em cultura, são ...

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