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INTRODUÇÃO

A fecundação pode ser definida como o encontro e a fusão de duas células gaméticas formando um indivíduo diferente daquele que o originou. O zigoto formado é único, porque, como metade de seus cromossomos vem do pai e metade da mãe, ele é o resultado de uma nova combinação gênica diferente da de seus pais. Esse processo resulta na variabilidade da espécie.

Durante o processo meiótico, a troca de segmentos cromossômicos, no crossing-over, e a migração de cromossomos na anáfase I, resulta em um embaralhamento do material genético, tornando-se quase matematicamente impossível a cópia de um indivíduo idêntico a outro. Somente os gêmeos monozigóticos, isto é, provenientes da mesma fecundação, terão o mesmo genoma. Ainda assim, cada um continua sendo único, visto que a expressão é epigenética. Entre os grandes desafios para o acontecimento da fecundação, destacam-se: o encontro dos gametas entre si, o seu reconhecimento, que apenas um dos inúmeros espermatozoides ganhe o interior do ovócito ou do óvulo e a ativação do metabolismo adormecido do ovo.

1. ATIVAÇÃO E ENCONTRO DOS GAMETAS

Os espermatozoides são moldados para ir ao encontro do ovo, mas, enquanto estão nos testículos, falta-lhes a motilidade. Esta lhes advém quando já estão a caminho do encontro do gameta feminino. O que torna o espermatozoide uma célula com motilidade própria? Tratando-se do ouriço-do-mar, talvez o animal mais estudado no que tange à questão da fecundação, o engatilhamento do movimento do espermatozoide dá-se devido à elevação do pH interno da célula, de 7,2 para 8,0. O que mantém o pH em 7,2 no espermatozoide enquanto ele está no testículo é a alta tensão do CO2. Nesse pH, não há respiração nem motilidade do espermatozoide. Quando os espermatozoides são lançados na água do mar, cujo pH situa-se em torno de 8,0, há uma relativa baixa na tensão do CO2 e eles tornam-se ativos, aumentando a respiração e o batimento flagelar. A que se deve a elevação de pH no interior do espermatozoide liberado? Ela se deve a uma troca do Na+ por H+. Na água do mar, há abundância de Na+, que, penetrando na célula, faz o H+ sair, elevando, desse modo, o pH. A consequência dessa elevação do pH é a ativação da ATPase presente nos braços de dineína da subfibra A do axonema do flagelo. A atividade da ATPase é muito sensível ao pH. Em um pH 6,2, ela torna-se inativa, não havendo produção de ATP. Com o aumento do pH, há uma abrupta atividade da ATPase (Figura 5.1)1 e um subsequente aumento acentuado da motilidade do espermatozoide.

Figura 5.1

Inflluência do pH na atividade ATPásica do espermatozoide. A atividade ATPásica aumenta consideravelmente quando se aumenta o pH do meio.

Fonte: Christen e colaboradores.1

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